Intercâmbio em Curitiba, cidade referência em planejamento, faz parte da concepção do Plano Regional de Desenvolvimento Urbano
Secretários e técnicos dos municípios do CONDEMAT+ (Consórcio de Desenvolvimento do Alto Tietê e Região) participaram, nesta quarta e quinta-feira (27 e 28/8), de uma imersão no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) — referência nacional e internacional em planejamento urbano.
A agenda começou com uma visita técnica na sede do IPPUC, que é uma autarquia municipal criada em 1965 com a missão de acompanhar e orientar o Plano Diretor e o uso e ocupação do solo em Curitiba, cidade com um índice de 99% de urbanização. Além disso, a comitiva com representantes de Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba e Mairiporã, teve a oportunidade de conhecer o Palácio da Inovação onde funciona o Hipervisor Curitiba, ferramenta avançada de integração de dados e monitoramento, e participar de uma visita técnica no Bairro Novo Caximba, centro de um projeto de gestão de risco climático.
“Conhecer de perto os instrumentos que fazem de Curitiba uma referência em planejamento é indispensável para a concepção do futuro Plano Regional de Desenvolvimento Urbano pelo consórcio. É aprender e entender o que podemos replicar na nossa realidade, além de estabelecer conexões com profissionais que atuam no IPPUC para cooperação técnica”, ressaltou Alexandre Feijó, secretário de Planejamento de Itaquaquecetuba e coordenador da Câmara Técnica de Desenvolvimento Urbano do CONDEMAT+.
O Ippuc completa 60 anos de atividades em 2025 e, neste momento, o instituto está debruçado na terceira revisão do Plano Diretor. Em apresentações detalhadas, a presidente do Ippuc, Ana Zornig Jayme, e o diretor de Planejamento, Thomaz Ramalho, explicaram as principais ações que sustentam o sucesso e respeito da autarquia, a participação da sociedade civil, os desafios de “realizar a cidade para as pessoas” e a captação de financiamentos.
“Gostamos muito da oportunidade de cooperar com soluções urbanísticas que deram certo aqui e que podem ser replicadas em outras cidades”, ressaltou a presidente Ana Jayme, ao citar entre os destaques o consolidado sistema de transporte integrado, os parques e bosques (55 em funcionamento e mais três em implantação) instalados junto aos rios e que servem como bacias de contenção das cheias, e a transformação de passivos em equipamentos de referência, como a Ópera de Arame e o Parque Jaime Lerner, instalados numa antiga pedreira.
Outro exemplo mais recente é justamente a intervenção socioambiental no Novo Caximba, bairro no extremo Sul de Curitiba, caracterizado pela fragilidade ambiental e vulnerabilidade socioeconômica da população. Ali, palafitas começam a dar lugar para casas com sistemas fotovoltaicos, captação de águas de chuva e hortas verticais. Serão 1.693 famílias contempladas até 2027, num projeto que começou em 2017 e conta com investimento francês. Ali, às margens do Rio Barigui, estruturas urbanas resilientes foram implantadas a partir da melhoria da macrodrenagem, construção de parque linear, corredor ecológico e lagoas de contenção de cheias.
O projeto é o primeiro da cidade elaborado a partir dos conceitos de adaptação e mudança climática.
Plano Regional
A imersão em Curitiba integra os estudos liderados pela Câmara Técnica de Desenvolvimento Urbano do CONDEMAT+ para a construção do Plano Regional de Desenvolvimento Urbano. O grupo, neste momento, articula cooperações técnicas com institutos, Ministério das Cidades e órgãos internacionais para avançar na iniciativa, que visa o desenvolvimento sustentável na região.














