Espetáculo apresentado no Sesc Mogi das Cruzes sobre um casal libanês separado abordou sentimentos, angústias e experiências da mulher
A história de uma mulher que permaneceu no Líbano enquanto o marido imigrou para o Brasil abriu espaço para discutir experiências que ainda fazem parte da vida feminina, como a responsabilidade pelo cuidado, a sobrecarga e a necessidade de apoio e reconhecimento. O espetáculo ‘Cartas Libanesas – Ayuni’ marcou o 8º Fórum Regional de Mulheres – Vozes que Transformam, promovido pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e Região (CONDEMAT+) na noite dessa quinta-feira (29), no Sesc Mogi das Cruzes.
Realizado por iniciativa da Câmara Técnica de Políticas Públicas para Mulheres, com apoio do Sesc, o encontro reuniu convidados, autoridades e representantes dos municípios consorciados para a apresentação teatral especial com os atores Ana Cecília Costa e Eduardo Mossri. Ao término, os dois responderam a perguntas do público em um bate-papo conduzido por Lívia Bolina, coordenadora adjunta da Câmara Técnica e secretária da Mulher de Mogi das Cruzes.
Idealizado em 2009 pelo mogiano Eduardo Mossri a partir das cartas em árabe de sua avó, ‘Cartas Libanesas’ foi apresentado como monólogo durante dez anos. Na nova versão, pensada por um coletivo de mulheres, segundo o ator, Adibe ganha presença em cena e passa a compartilhar com Miguel a narrativa sobre a separação do casal durante a Primeira Guerra Mundial.
No bate-papo, Mossri explicou que a inclusão da personagem surgiu do desejo de dar espaço à mulher que já existia no monólogo, mas não aparecia no palco. “Eu nunca vou sentir metade do que as mulheres passam, não seria essa a intenção, mas eu, como homem, gosto de pensar como parceiro, como possibilidade de entender. Não preciso ser mulher para poder falar sobre a questão do machismo, eu não preciso ser negro para poder falar sobre a questão do racismo, mas eu posso me sentir tocado por isso. Eu posso querer que essa realidade seja alterada”, advertiu o ator.
Ana Cecília Costa relacionou a experiência de Adibe às responsabilidades que ainda recaem sobre muitas mulheres. Ao comentar sobre a personagem, a atriz destacou a rotina de quem trabalha e continua responsável pelo cuidado ao voltar para casa: “A mulher que cria, a mulher que nutre, a mulher que trabalha, mas a mulher que ainda volta para casa e cuida. E quantas mães solo, né? Não que a Adibe seja, mas, por um período, ela foi. Então, uma posição muito da mulher ainda, que precisa estar em rede de apoio e não desfruta ainda dessa liberdade que os homens têm”, destacou a atriz.
Anfitriã do evento, Lívia Bolina destacou que a apresentação permitiu aproximar a história retratada no palco das questões discutidas pelo fórum. “O espetáculo se passa em outro período, mas dá voz a uma mulher que ficou e que tem sentimentos, angústias e experiências que precisam ser reconhecidos. Essa história nos permite refletir sobre situações que muitas mulheres ainda vivem hoje e sobre a importância de ouvi-las e apoiá-las. Esse tem sido o papel do Fórum Regional de Mulheres, que tem circulado pela região levando apoio, informação e propondo soluções para os problemas que afligem as mulheres”, ressaltou a gestora.
Antes da edição especial cultural em Mogi das Cruzes, o Fórum Regional de Mulheres – Vozes que Transformam passou por Suzano, Biritiba Mirim, Arujá, Itaquaquecetuba, Guarulhos, Jacareí e Ferraz de Vasconcelos. A iniciativa promove encontros itinerantes para ampliar o acesso à informação, fortalecer o diálogo e debater políticas públicas voltadas às mulheres dos municípios consorciados.

















