Cidades se ajustam para demanda de pacientes do coronavírus

Enquanto Estado define dinâmica de leitos e internações, Secretarias de Saúde criam fluxos transitórios nas unidades municipais

Com a demanda crescente de casos de coronavírus (Covid-19), as cidades do Alto Tietê reforçam as adequações nos equipamentos municipais de saúde para o atendimento das pessoas com suspeitas dessa doença e dos pacientes em geral. Nos hospitais municipais, a Câmara Técnica de Saúde do CONDEMAT – Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê informa a criação de fluxos transitórios para assegurar o isolamento dos pacientes de coronavírus sem interromper o funcionamento das unidades.

Nos casos confirmados de coronavírus, esses fluxos transitórios são necessários até a indicação, pelo Estado, do hospital para onde os pacientes mais graves devem ser transferidos, principalmente quando há necessidade de internação em UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

“O direcionamento dos pacientes para os hospitais é feito através da Rede Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde), sob gestão da Secretaria Estadual de Saúde. No período desde o acionamento da Cross até a transferência para qualquer um dos hospitais de referência no Estado, o paciente precisa ficar em isolamento e sob cuidados especiais. É para esta situação que os municípios precisam ter os fluxos transitórios”, explicou a coordenadora da Câmara Técnica de Saúde do CONDEMAT, Adriana Martins, ao citar que na área do consórcio, apenas o Hospital Padre Bento, em Guarulhos, está entre as referências para coronavírus.

Ela comenta que a rede para atendimento dos pacientes mais graves de coronavírus não está totalmente definida pelo Estado, o que dificulta a atuação dos municípios. Nos casos de UTI adulto e pediátrico e de isolamento, por exemplo, a Região possui 220 leitos nos hospitais públicos (estaduais e municipais) que funcionam em Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Santa Isabel e Suzano. Há, ainda, outros 149 nos hospitais privados de Arujá, Guarulhos, Mogi das Cruzes e Suzano.

Não se sabe, porém, quantos desses estão disponíveis e como eles serão distribuídos entre os doentes – não só os das cidades do Alto Tietê, mas também de outras regiões.

“O CONDEMAT está pleiteando, da Secretaria de Estado da Saúde e do Ministério da Saúde, a disponibilidade de leitos de UTI e de isolamento no Hospital das Clínicas Auxiliar de Suzano e no Regional de Ferraz de Vasconcelos para suporte aos pacientes do Alto Tietê e também aguardando a posição do Estado sobre os leitos da rede privada, que possivelmente serão necessários diante da curva de crescimento da doença esperada para o mês de abril”, comentou a coordenadora.

Os municípios que não possuem hospitais também estão se organizando com a definição de prédios/unidades que possam, emergencialmente, abrigar pacientes que precisam de isolamento. A maior dificuldade das prefeituras está na aquisição de equipamentos, desde os básicos para proteção dos profissionais de saúde, como luvas e álcool gel, até os mais especializados para assistência aos pacientes, como respiradores. Não há disponibilidade no mercado para compra e, nos equipamentos possíveis de locação, os valores estão elevados.

“A gestão municipal está se organizando para uma situação maior, mas cada um dentro das suas limitações e aguardando direcionamentos e recursos do Estado”, concluiu a coordenadora da Câmara Técnica de Saúde do CONDEMAT.

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